Sinopse:
Em 1993, o mundo ouviu falar pela primeira vez da favela de Vigário Geral, Rio de Janeiro, Brasil. Em uma noite, 21 moradores inocentes foram mortos por policiais militares na maior chacina da história do Rio de Janeiro. No mesmo ano de 93, dez meses antes, surgiu o Grupo Cultural AfroReggae (GCAR) com o objetivo de oferecer uma opção de vida aos jovens através da cultura e do desenvolvimento social. A primeira comunidade que o GCAR entrou foi a favela de Vigário Geral. Ali, e em toda cidade do Rio de Janeiro, policiais assassinos e corruptos são chamados de “polícia mineira”.
“Polícia mineira” é uma expressão curiosa, pois, hoje, a polícia militar do estado de Minas Gerais é uma das mais abertas no contato com a comunidade, utilizando métodos modernos de combate à violência. Também foi a polícia que teve coragem de receber o projeto “Juventude e Polícia”, uma parceria do AfroReggae, CESeC, Secretaria de Defesa Social de MG, Fundação Ford e Pindorama Filmes.
Em 2004, o projeto foi desenvolvido em dois Batalhões da Polícia Militar em Belo Horizonte. Durante quatro semanas, os policiais dos 22º e o 34º BPMs receberam oficinas de percussão, televisão, circo, teatro e grafite. A surpreendente participação de policiais nas atividades e a inesperada integração entre jovens do AfroReggae e oficiais e praças superaram todas as expectativas sobre o primeiro ano desse projeto.
A oficina de TV e o registro das oficinas com os policiais gerou o filme “Polícia Mineira”. São cenas emocionantes, e muitas vezes curiosas, de policiais fardados e armados batendo em bumbos e tambores, olhando atentamente para seus professores: dois jovens de Vigário Geral, que nunca tinham entrado em um batalhão de polícia e colecionavam experiências violentas e traumáticas com policiais (entre elas, Paulo Neguéba foi vítima de um tiro de fuzil no pé disparado por policias do BOPE e Altair Martins teve um tímpano perfurado em uma abordagem policial). As cenas se repetiram nas oficinas de teatro com policiais fazendo caretas em exercícios de dramatização, na oficina de circo onde filhos de policiais fazem pirâmides humanas com crianças da favela próxima. Na oficina de TV, foi debatida a imagem da polícia nos meios de comunicação e a imagem que a população tem da polícia, resultando em filmagens pelas ruas de Belo Horizonte. Outro aspecto fundamental dessa oficina foi a discussão do roteiro do filme que se estava fazendo: “Polícia Mineira”.
O filme coloca em contato jovens negros da periferia com policiais militares. Os jovens do AfroReggae narram a policiais atentos e emocionados histórias entre a polícia e os traficantes no Rio de Janeiro. De outro lado, os policiais militares de Minas Gerais narram técnicas e estratégias utilizadas atualmente na segurança de Belo Horizonte. As muitas cenas de convívio entre essas “tribos” foram registradas em 90 horas de gravação em vídeo digital que resultaram num filme documentário de 53 minutos.
Ficha Técnica
Diretor: Estevão Ciavatta
Co-direção: Marcelo Guru Duarte
Produtores: Andrea Franco e Leonardo Martinez
Roteirista: Estevão Ciavatta
Produção: Pindorama Filmes e AfroReggae
Co-produção: CESeC
Patrocínio: Canal Futura e Fundação Ford
Fotografia: Estevão Ciavatta e Marcelo Guru Duarte
Formato: Beta Digital
Categoria: média-metragem
Gênero: Documentário
Ano: 2005
Duração: 53min.
Status: Exibido no Canal Futura