Periferia rima com tecnologia. Viajando por favelas, comunidades e quebradas de todo o Brasil, Regina Casé se deparou com um fenômeno que contraria o senso comum sobre esses lugares: não é por serem pobres que são desconectados. As grandes periferias brasileiras já se digitalizaram. Tudo aconteceu na marra, aos trancos e barrancos, mas hoje é realidade inegável.
É difícil encontrar um lugar urbano no país inteiro, mesmo os mais pobres, que não tenha sua lan-house. E mais: onde a lan-house local não tenha se transformado numa nova espécie de praça, uma mistura de ponto de encontro de divertimento social com escritório público e centro de comunicações e também de produção/divulgação artística. Mesmo onde já há presença de computadores em casa - coisa que para surpresa de muitos é cada vez mais comum até mesmo em favelas - as lan-houses continuam a atrair uma animadíssima clientela, virando um dos maiores símbolos da nova cultura ciberpopular brasileira.
Regina Casé investigou de forma bem humorada vários aspectos dessa tecno-antropofagia extremamente voraz da periferia: a favela invadiu os sites de relacionamento tipo Orkut, grava vídeos para colocar online, inventa maneiras hilárias de economizar na conta do celular, arruma emprego online, cria novos modelos de negócio para vender música ou até aprende japonês para ver desenho animado na rede.
Em busca das experiências mais reveladoras sobre esses novos costumes digitais, Regina Casé viajou para periferias de Salvador, Fortaleza, São Paulo e vasculhou a Zona Oeste do Rio e a Baixada Fluminense. Preparem-se para desbravar uma nova indústria cultural totalmente informatizada onde você menos espera.