Quem governa a cidadania?
Estevão Ciavatta diretor e roteirista de cinema e TV
A cidade amanhece linda no Posto 6, no Morro da Conceição e no Complexo do Alemão. Com certeza o Rio ainda é a cidade mais bonita do mundo, com suas montanhas e florestas urbanas que se destacam na paisagem onde quer que se esteja. Nisso o Rio é profundamente democrático, mas o que acontece com a cidade que não consegue viver na plenitude? Por que continuamos caindo num poço que parece não ter fundo? Muito se fala da falta de participação da população na vida política da cidade. Criamos na nossa produtora uma campanha para o Canal Futura, “Você pode. Você faz?”, sobre as inúmeras possibilidades de participação na democracia, apresentando casos de sucesso por todo o Brasil, como o orçamento participativo, a lei de iniciativa popular, a escola do povo, passeatas e mobilização popular. Os exemplos comprovam que podemos fazer muito por nós mesmos. Mas, num ano de eleições, é importante questionar o que nossos representantes devem fazer pela cidade que pretendem governar. Num recado aos nossos políticos, estampamos,
A CIDADE AMANHECE linda no Posto 6, no Morro da Conceição e no Complexo do Alemão. Com certeza o Rio ainda é a cidade mais bonita do mundo, com suas montanhas e florestas urbanas que se destacam na paisagem onde quer que se esteja. Nisso o Rio é profundamente democrático, mas o que acontece com a cidade que não consegue viver na plenitude? Por que continuamos caindo num poço que parece não ter fundo? Muito se fala da falta de participação da população na vida política da cidade. Criamos na nossa produtora uma campanha para o Canal Futura, “Você pode. Você faz?”, sobre as inúmeras possibilidades de participação na democracia, apresentando casos de sucesso por todo o Brasil, como o orçamento participativo, a lei de iniciativa popular, a escola do povo, passeatas e mobilização popular. Os exemplos comprovam que podemos fazer muito por nós mesmos. Mas, num ano de eleições, é importante questionar o que nossos representantes devem fazer pela cidade que pretendem governar. Num recado aos nossos políticos, estampamos, através da limpeza da calçada em frente à Câmara de Vereadores, o slogan invertido: “Você faz? Você pode”.
Vejamos o caso da segurança pública, questão crucial na vida da cidade. Muita gente pensa que esse assunto não é de responsabilidade do poder municipal. A polícia, de fato, não é comandada pelo prefeito, e sim pelo governador, mas a falta de segurança está destruindo a teia social da cidade, e aí prefeito e vereadores têm o dever de agir. Um bom hospital, por exemplo, é um eficiente mediador de relações. Uma boa escola também: regula, controla, até reprime. A produção cultural, por outro lado, ajuda a entender a complexa relação entre um indivíduo e a sociedade. Se as leis exercem o papel da repressão externa, a moral nos reprime, sem que ninguém fique nos lembrando que não devemos roubar ou matar. O espaço público, como praças, ruas e parques, quanto mais bem cuidado, tanto mais seguro.
Ou seja, não podemos tratar a insegurança em nossa cidade simplesmente como caso de polícia. É imperativo pensá-la em todos os seus aspectos. E aí nossos representantes tem um papel fundamental, que é o de assumir as responsabilidades que lhes foram atribuídas pelo nosso voto: o investimento em escolas e professores, hospitais e equipamentos médicos, organização do trânsito, planejamento do transporte urbano, conservação de ruas e praças, além de um profundo e implacável combate à corrupção.
Quando nossos representantes estiverem à altura dos seus representados, vamos descobrir que um bom político deve simplesmente governar a cidadania. A cidade, com certeza, vai amanhecer mais linda ainda. E nós teremos a certeza de que vivemos no paraíso.
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