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Pindorama registra relatos de violência no Pará
Retornamos no final de outubro do sudeste do Pará, onde estivemos gravamos depoimentos e fazendo pesquisa para o projeto O veneno e o antídoto – Brasil, que trata das várias expressões da violência no país. Estivemos por lá para procurar boas histórias sobre violência no campo.

A região de Marabá e Xinguara é o lugar do país onde os conflitos no campo são mais agudos. Ao longo da precária PA-150, que liga as duas cidades e passa por Eldorado dos Carajás, só se vê pasto. Da floresta amazônica nativa há poucos vestígios: são as poucas castanheiras que restaram e os troncos carbonizados espalhados pelo capinzal que alimenta o gado. Sob a pastagem há veios de minério de ferro cobiçados pela Vale privatizada, poderosíssima na região. Nas cidades de Marabá e Xinguara, principais centros regionais, tudo parece inacabado, em expansão desordenada.

A concentração de terra impressiona. A Fazenda Espítrito Santo, por exemplo, que pertence a um grupo ligado ao banqueiro Daniel Dantas tem cerca de 10 mil hectares. Em alguns pontos é possível traçar uma linha reta de 200 km de uma ponta a outra da fazenda, segundo informação corrente na região. Dentro das fazendas, às margens da rodovia, há dezenas de acampamentos de trabalhadores sem-terra.

Quase todas as pessoas que encontramos na cidade e nos acampamentos são migrantes. Maranhenses, cearenses, goianos, piauienses... Todos atraídos pelos estímulos dos governos militares à imigração rumo àquela região. José Batista, advogado da Comissão Pastoral da Terra conta que sua família, de lavradores do Vale do Jequitinhona, chegou ao Pará acreditando na promessa de “terra sem homens para homens sem terra”. “Terra havia muita, mas não estava disponível para os milhares de trabalhadores que chegaram à região naquela época e que continuam chegando hoje. Muitas áreas foram apropriadas ilegalmente por grandes fazendeiros”, explica.

Está aí a gênese da violência na região: a luta pela terra. Trabalhadores sem-terra vinculados ou não a movimentos sociais ocupam pequenos trechos das fazendas, geralmente próximo à estrada. Lutam pela desapropriação dessas áreas e por seu uso na reforma agrária. Escoltas armadas dos latifúndios intimidam os acampados com seqüestros, tiros a esmo, homicídios. Não faltam histórias de lideranças sociais e acampados baleados, ameaçados, marcados pra morrer.

Nesse cenário, a Delegacia Especializada em Conflitos Agrários tenta segurar a barra realizando operações para desarmar milícias de fazendeiros, mediar conflitos, apaziguar situações muito tensas. Enquanto estávamos lá, 4 trabalhadores sem-terra detidos pela escolta da Fazenda Espírito Santo foram libertados pela DECA. Muitos sem-terra, contudo, se queixam de que denúncias feitas à delegacia não são apuradas e questionam a eficiência da polícia. A atuação da Comissão Pastoral da Terra também é importante: presta assistência jurídica, faz denúncias, é uma referência para os pequenos.

Nas últimas duas semanas, os sem-terra acampados na Fazenda Maria Bonita, em Eldorado dos Carajás, na qual realizamos entrevistas, invadiram a sede da fazenda e entraram em conflito com jagunços. Na última sexta-feira, dia 6, centenas de trabalhadores sem-terra que realizavam uma manifestação na PA 150, na altura da Curva do S, onde aconteceu o massacre de 1996, por pouco não entraram em choque com 70 policiais militares que foram ao local para encerrar o protesto. O conflito está esquentando.


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Comentários
Comentário  Lao
O conflito está esquentando...E a Pindorama está atenta! em breve teremos os depoimentos aos olhos de todos.....Aguardem!

abs, Lao.  

16 Novembro, 2009 | Rio de Janeiro, RJ
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