Fechando a série de posts sobre o livro CAPITALISMO NATURAL de Paul Hawken, Amory Lovins e L. Hunter Lovins, ed. Cultrix, aí vai um texto perturbador das páginas 20 e 21.
Aproveito para creditar minha amiga Denise Chaer por ter me apresentado e presenteado este livro.
Imagine uma reunião no fim do século XIX. Um grupo de empresários poderosos e clarividentes anuncia que pretende criar uma nova e gigantesca indústria, nos Estados Unidos, capaz de empregar milhões de pessoas, vender uma unidade de seu produto a cada dois segundos e oferecer mobilidade quase ilimitada aos que o consomem. No entanto, essa inovação trará outras conseqüências, de modo que dentro de cem anos terá feito ou estará fazendo o seguinte:
• Pavimentar uma área igual a toda a terra cultivável dos Estados de Ohio, Indiana e Pensilvânia (o que corresponde a uma área total de 318.534 km2, ou seja, pouco menor que a do Estado do Maranhão), com custo de manutenção superior a 200 milhões de dólares por dia;
• Revolucionar as comunidades e a vida norte-americanas de modo a restringir a mobilidade da maioria dos cidadãos que não quiserem ou não puderem possuir ou operar o novo produto;
• Ferir ou aleijar 250 milhões de pessoas e matar mais americanos do que todas as guerras da história do país;
• Queimar 8 milhões de barris de petróleo por dia (1.703,25 litros anuais por pessoa);
• Tornar os Estados Unidos cada vez mais dependentes do petróleo estrangeiro ao preço de 60 bilhões por ano;
• Fazer com que o país dependa de uma porcentagem cada vez maior do petróleo oriundo de uma região instável e geralmente hostil, armada, em parte, com o próprio pagamento norte-americano do petróleo, obrigando-o a empreender grandes expedições militares e a manter-se em estado de alerta permanente;
• Matar um milhão de animais silvestres por ano, incluindo veados, alces, pássaros, rãs e gambás, à parte as dezenas de milhares de animais domésticos;
• Criar barulho e uma nuvem de poluição constantes em todas as regiões metropolitanas, afetando o sono, a concentração e a inteligência, e tornando o ar de certas cidades de tal modo irrespirável que as crianças e os idosos não se atreverão a sair de casa em certos dias;
• Provocar uma incidência espetacular de asma, enfisema, cardiopatias e infecções bronquiais;
• Emitir um quarto dos gases que formam a estufa norte-americana, ameaçando a estabilidade climática e a agricultura mundiais;
• Criar 3,5 milhões de toneladas de lixo e resíduos por ano.
Imagine agora que eles tenham conseguido.
Eis a indústria automobilística.
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